Associação Cultural concede título de Cidadão Olindense a Sérgio Ricardo

Honraria simbólica reconhece a atuação do comunicador paraibano na defesa do Carnaval, da memória e das tradições populares de Olinda e do Recife

A Associação Cultural de Letras, Poesias e Grupos de Maracatus e Caboclinhos concedeu ao comunicador e ativista cultural Sérgio Ricardo o título de Cidadão Olindense, uma honraria de caráter simbólico e cultural criada para reconhecer ilustres apreciadores e defensores da cultura carnavalesca de Olinda e do Recife. A distinção destaca o compromisso do homenageado com a preservação das tradições populares e da memória histórica pernambucana.

A homenagem também reverencia o legado de Mad Mana Vieira, matriarca da família Kramer, reconhecida como memória viva de Olinda e do Recife. Detentora de vasto conhecimento sobre a história das duas cidades, desde seus processos de fundação até a formação de suas expressões culturais, Mad Mana Vieira é advogada por formação e amplamente respeitada como historiadora de Pernambuco, sendo referência na preservação da memória, do saber oral e das tradições populares.

Sérgio Ricardo e Mad Mana Vieira

Ao conceder a honraria, Mad Mana Vieira destacou o gesto simbólico de tornar Sérgio Ricardo “filho de Olinda”, em um ato que une reconhecimento cultural, pertencimento afetivo e respeito à memória histórica.

Sérgio Ricardo recebe o título, entre outros motivos, por sua atuação constante na valorização do Carnaval de Olinda e do Recife, defendendo a preservação de manifestações tradicionais como os maracatus, os caboclinhos, os blocos líricos e o frevo. Em sua trajetória cultural, sempre destacou o compositor Lourenço da Fonseca Barbosa, mais conhecido como Capiba, nascido em 28 de outubro de 1904, no município de Surubim, e falecido em Recife, no dia 31 de dezembro de 1997, como a maior referência do carnaval pernambucano. Músico, pianista e compositor brasileiro, Capiba tornou-se o mais consagrado autor de frevos do país.

Aos 26 anos, mudou-se para o Recife, onde, aprovado em concurso público, tornou-se funcionário do Banco do Brasil, o que lhe garantiu estabilidade financeira e tempo para se dedicar ao aprimoramento musical. Em 1934, consolidou-se como compositor ao vencer uma disputa de músicas carnavalescas com o frevo-canção “É de Amargar”, uma de suas obras mais conhecidas. Em 1938, concluiu o curso de Direito pela Faculdade de Direito do Recife, embora nunca tenha exercido a profissão. Já em 1945, alcançou projeção nacional com a valsa-canção “Maria Betânia”, gravada por Nelson Gonçalves. Na década de 1950, fundou a Jazz Band Acadêmica e, ao lado de Hermeto Pascoal e Sivuca, integrou o trio “O Mundo Pegando Fogo”, consolidando uma obra hoje reconhecida como patrimônio cultural e símbolo de um carnaval popular, autêntico e fiel às suas raízes.

Alceu Valença no Marco Zero – Março de 2025 – Foto: Sérgio Ricardo

Sérgio Ricardo também é admirador declarado de Alceu Valença, compositor e um dos principais intérpretes do carnaval recifense, reconhecido como a maior referência do carnaval de Olinda e responsável por abrir oficialmente, de forma tradicional, a festa na cidade histórica.

Natural de João Pessoa (PB) e residente em Bayeux, Sérgio Ricardo construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a cultura popular, a comunicação comunitária e as causas sociais. Atua como videasta, designer gráfico, fotógrafo, jornalista, radialista e produtor cultural, utilizando diferentes linguagens para fortalecer a identidade nordestina e as expressões culturais tradicionais.

É fundador e diretor do Portal de Notícias DiárioPB (diariopb.com.br), que está no ar há mais de 16 anos com credibilidade, e também criador da Rádio DiárioPB (radiodiariopb.com.br). Além disso, apresenta o programa Alô Comunidade, ao lado do radialista Fábio Mozart, na Rádio Tabajara FM.

Reconhecido pelo ativismo em defesa da liberdade e da democratização das rádios comunitárias, Sérgio Ricardo defende a comunicação como direito humano fundamental, atuando junto a movimentos sociais, culturais e populares. Atualmente, é presidente da Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz, que em 2026 completou 50 anos de fundação, marco que será celebrado ao longo de todo o ano com eventos culturais na cidade natal do poeta e em diversas cidades da Paraíba.

A concessão do título de Cidadão Olindense simboliza não apenas o reconhecimento à trajetória de Sérgio Ricardo, mas também a valorização da memória, da cultura e do carnaval como expressões vivas da identidade pernambucana, reafirmando Olinda como território de resistência cultural, tradição e história viva.

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